Cantora argentina proporcionou noite de tangos, chimarritas, boleros, rancheiras e milongas durante 1h30min, nesta segunda no
Bourbon Country.
O 5º Festival de Inverno fica mais quente a cada dia. Na noite desta segunda, foi a vez da atriz e cantora argentina Soledad Villamil proporcionar uma verdadeira bailanta como se estivéssemos nos ranchos do nosso pampa, com direito a rancheiras, chimarritas, tangos, milongas e boleros durante 1h30min no Teatro do Bourbon Country. Com um pleno domínio de cenicidade, carisma e leveza tal qual as cantoras de rádio da primeira metade do século passado, Soledad iniciou o show de modo mais formal com a milonga “Campo Afuera”. Após agradecer em portunhol o carinho de estar cantando em Porto Alegre e no Brasil pela primeira vez, a cantora partiu para as músicas mais conhecidas dos seus dois discos gravados na Argentina: “Soledad Villamil Canta” (2007) e “Morir de Amor” (2009).
O tango “El Aguacero” do primeiro disco, é composição de José Gonzalez Castillo e Cátulo Castillo, mostrou a voz de Soledad um pouco mais solta, mas foi na chimarrita “Santa Rita”, composição dela e do violonista José Teixidó, diretor musical do espetáculo, que ela chamou o público para cantar junto o refrão “Santa Rita, Santa Rita / lo que se da no se quita / No se quita, no se quita, / lo que se da no se quita”. Nesta canção, o percussionista Martín González manejando duas colheres de sopa e extraindo delas uma sonoridade parecida com castanholas.
Soledad foi conquistando o público com a exuberância da sua voz, com o domínio do gestual e da cena e com o repertório escolhido que não causa nenhuma estranheza aos gaúchos. “El Aromo”, de Atahualpa Yupanqui, e “Ansiedad”, de Sarabia Rodriguez deram o tom alto astral do show. Mas foi em “Pero Yo Sé”, de Azucena Maizani, que Soledad mostrou todo o seu domínio da cena, parando a música pela metade para mostrar a dificuldade em traduzir certos termos do lunfardo, a gíria de Buenos Aires, como “beguén”, derivado do francês o termo que designa “capricho amoroso com desejo veemente”.
A música nova, “Ya Trate de Olvidarte”, dela e de Teixidó, foi seguida de “Ojos Verdes”, que ouviu pela primeira vez na voz de sua tia-avó. Na canção que dá título ao segundo disco, que fala basicamente do amor, Soledad explicou que “La Canción y El Poema (Morir de Amor)” deriva de uma poesia da uruguaia Idea Vilariño a partir do sofrimento das constantes brigas com o seu amor o escritor uruguaio Juan Carlos Onetti. A música arrancou aplausos entusiasmados e momentos de emoção tanto da cantora quanto do público. Com “Rencor” e “Baldosa Floja”, Soledad se despediu da plateia, apresentando a banda e agradecendo o carinho do público.
É claro que o público que lotou o Teatro do Bourbon Country não deixou por menos e chamou-a de volta. No bis, ela cantou “Ninguna”, de Homero Manzi, e encerrou com “Chimarrita de una Bailanta”, dando exatamente o clima de bailanta que deixou os gaúchos mais felizes por sentirem o reforço da identidade do Sul, da estética do frio de Ramil, das coisas em comum entre gaúchos e portenhos.
Fonte: Luiz Gonzaga Lopes / Correio do Povo

